Este artigo apresenta um estudo sobre o Balanço Social como um demonstrativo que evidencia as ações das empresas na sociedade em que estão inseridas, onde suas riquezas devem ser observadas quanto às divergências de conceitos técnicos utilizado na demonstração, que vai muito além de dados contábeis. Ao analisar o Balanço Social, pode-se verificar o uso da economia, da estatística, da matemática, da sociologia, dentre outras para obtenção dos dados para formatação deste relatório. O Balanço Social evidencia os aspectos qualitativos e quantitativos das empresas, incluindo dados contábeis, econômicos e administrativos, em que se destaca a gestão do pessoal. Este demonstrativo serve para demonstrar as empresas socialmente responsáveis, o que servirá para que terceiros, possam conhecer a real missão da empresa, uma vez que a sociedade clama por pessoas e instituições que investem no social. No âmbito interno, a contabilidade fornecerá à administração, orientações sobre os custos com recursos humanos, com o meio ambiente, com o governo, com terceiros, que comporão o Balanço Social da empresa.
PALAVRAS CHAVES: Balanço Social, responsabilidade social, célula social, meio ambiente.
1 - Introdução
A Contabilidade está inserida no ramo das ciências sociais e tem como objeto o patrimônio das entidades, para fornecer informações econômicas financeiras e sociais.
Segundo a visão econômica, conforme Rossetti (1995) apud OCDE existe uma técnica denominada de contabilidade social, "que se propõe a apresentar, sob forma quantitativa, um quadro do conjunto das transações econômicas de uma nação", sendo importante a abordagem qualitativa da responsabilidade social no enfoque macro-econômico.
Essa responsabilidade social, que é a relação da empresa com o bem estar da sociedade, com o desenvolvimento sócio-econômico e com o cuidado do meio ambiente, deve ser evidenciada no Balanço Social, o qual possibilita a consistência de ações e dá maior notoriedade à imagem da empresa no mercado em que está inserida.
O Balanço Social nasceu da necessidade de informações para os gestores e de interesse da sociedade. Entretanto, para que atinja essa visão, será necessária a consolidação dos balanços sociais, os quais enfatizam a expressão de eficácia econômica de cada setor. Apesar da não obrigatoriedade, muitas empresas o divulgam, abrangendo as ações sociais em suas diversas áreas, como: recursos humanos, educação, cultura, meio ambiente etc.
Essas informações devem ser vislumbradas como um instrumento de análise social, econômica e financeira para os gestores, para a sociedade e para seus investidores. Esse relatório é capaz de contribuir para o processo de tomada de decisão, quando informa resultados de ações que transcendem a aspectos quantitativos.
O Balanço Social denota a responsabilidade social das empresas que pode ser definida como um atributo ou compromisso das entidades com o desenvolvimento cultural e assistencial da sociedade em geral, do seu entorno e sua influência na cultura e bem estar social, mediante ações espontâneas e relevantes em busca da melhoria de qualidade de vida da comunidade.
2 - A responsabilidade social
A responsabilidade social de uma empresa deve ser vista com grande proximidade da Ética e da Moral. A primeira é definida por Holanda (1999) como o "estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal", tenta esclarecer problemas relacionados ao que é certo ou errado.
A Moral é constituída de regras e conhecimentos aperfeiçoados pela experiência da humanidade durante milênios, o que, para Holanda (1999), é um "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada". Na Moral, situa-se o Direito que é um conjunto de regras para regulamentar o relacionamento entre as pessoas.
Para Pecotche (1989), a cultura comum não contribui de maneira ponderável para o aquilatamento da moral porque não atinge a vida interna do ser, onde geram os conhecimentos superiores que regram a sua conduta. A ética se relaciona com o ambiente, onde o ser está exposto e esse apresenta como membro da sociedade.
Daí, que a responsabilidade social das empresas estão diretamente relacionadas ao campo da Moral, dentro do conjunto de normas relativas à conduta das pessoas físicas e jurídicas, normas estas fundamentadas filosoficamente na Ética, mas sem o caráter de obrigatoriedade imposto pelo Direito.
3 - Origem e demonstração do Balanço Social
O surgimento do Balanço Social refletiu com base nas idéias dos pensamentos históricos sobre o uso da riqueza, portanto é algo mais que a demonstração da natureza econômica, visto que são diferentes as aspirações na elaboração do mesmo, e que refletem em vários grupos e interesses. Segundo Sá (1999) a Alemanha é considerada como berço do informe social, que na década de 20 do século XX, ter-se-iam iniciados os esforços para a sua elaboração. Os fortes movimentos trabalhistas e as massas operárias organizadas passaram a exercer pressão sobre o poder político, exigindo que se aumentasse a responsabilidade social e o poder econômico do Estado. Foi então, que os intelectuais contábeis começaram a observar quais os valores que a empresa agregava ao ambiente em que estava inserida, isto é, como era a circulação da riqueza entre as células sociais1 e a sociedade. Assim as correntes doutrinárias contábeis alemãs buscaram entender cientificamente o lucro: se foi individualmente maximizado ou se foi social equitativamente distribuível. A partir daí é que as empresas começaram a se preocupar em demonstrar suas atividades sociais.
Quando se ensina Balanço Patrimonial a um leigo, compara-se com a idéia de uma balança, que representa equilíbrio, assim chega-se à explicação de que as aplicações são iguais às origens, ou que não se pode aplicar se não houver origem, ou ainda, ativo igual a passivo. Ao tratar-se de Balanço Social, em que ponto pode-se verificar o equilíbrio? Onde? De que forma? Como? Gonçalves (1980) mostra a diferenciação entre balanço patrimonial e Balanço Social da seguinte forma:
"No balanço contábil os dados são concretos e estáveis. As cifras mantêm a sua validade até que um outro levantamento de dados as atualiza, para efetuar novo balanço. No Balanço Social as quantidades que se mencionam podem variar a menor mudança de circunstâncias que rodeiam permanentemente o homem".
Entende-se necessário a atribuição do nome de Demonstração social ou Relatório Social, mas não somente de âmbito contábil, visto que foram os fenômenos circulatórios ambientais que deram origem ao Balanço Social, e estes possuem naturezas diversas, pois abrangem toda a sociedade e não uma célula social, isoladamente.
Conforme Resolução 774/94 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Contabilidade é uma ciência social em que seus agentes principais são os homens com suas respectivas ações, promovendo as variações patrimoniais.
Deve-se ter em mente o conceito do ilustre autor Sá (1999), que considera uma empresa como uma célula social, onde há uma vida interna que funciona em constante relação com o meio externo.
As interações internas que ocorrem nas células sociais repercutem no ambiente externo, assim uma influencia a outra durante a gestão. Para Sá (1999), há um ciclo da interação das variáveis internas ou endógenas e externas ou exógenas da relação Empresa-Sociedade, que podem ser exemplificadas conforme quadro I:
Quadro I - Variáveis das Empresas em Relação ao Social |
Variáveis Endógenas |
Variáveis Exógenas |
Diretores, gerentes, empregados, entre outros |
Fornecedor, governo, clientes, concorrentes, comunidade, acionistas |
Sá (1999), demonstra em sua teoria das funções sistemáticas, as relações lógicas do fenômeno patrimonial, mencionando as "relações ambientais exógenas", e em sua opinião, é nesse contexto de reciprocidade de ações que a contabilidade social e o próprio Balanço Social se explicam em termos contábeis.
A aplicação das funções sistemáticas é necessária para a eficácia das células sociais e são essenciais para a visão holística contábil, sendo elas: liquidez, resultabilidade, estabilidade e economicidade (sistemas básicos), produtividade, invulnerabilidade (sistemas auxiliares), elasticidade (sistema complementar). Assim, essas funções poderão ser os guias dos novos rumos contabilísticos, e podem ser visualizados da seguinte forma:

Figura I: Adaptado do livro contabilidade sob enfoque neopatrimonialista de KROETZ (2003)
Por se tratar de uma peça de grande interesse das diversas áreas empresariais e da sociedade, todos os profissionais devem ter consciência de sua responsabilidade no desenvolvimento dos relatórios, das informações e dos dados necessárias à confecção do Balanço Social.
Contudo, o contador é o detentor das informações e conhecimento técnico para fornecer dados para a elaboração deste relatório.
4 - O Balanço Social no ambiente neopatrimonialista
Entende-se que as necessidades de divulgação de informações através das tradicionais demonstrações contábeis são exigências de um mundo globalizado, competitivo, mutável e com paradigmas empresariais em evolução.
Não se apregoa a divisão do trabalho humano em forma de tarefa, pura e simplesmente, ou da informatização, atualmente em voga; vive-se numa era do conhecimento, em constante interação com o meio e essencial para a sobrevivência das empresas.
Visando atender a esse novo cenário de mudança contínua e a capacidade de adequar às incertezas para obter melhores prospecções, menciona-se como evolução contábil, a doutrina neopatrimonialista.
A citada doutrina traz o sistema de funções, cuja base foi a Teoria Geral do Conhecimento Contábil. Para Sá (1999), "as funções definidas que devem desempenhar os meios patrimoniais para suprir necessidades também definidas constituem sistemas autônomos de funções", portanto os recursos à disposição da administração devem suprir as expectativas das células sociais, buscando a eficácia patrimonial.
A corrente neopatrimonialista apresenta uma visão holística1 da ciência contábil, da riqueza das células sociais e das interações entre elas. Para a entidade permanecer no mundo competitivo é essencial ter visão sistemática2 global e humanística.
A Contabilidade evolui para acompanhar as novas necessidades, assim a evolução do pensamento contábil foi a base do neopatrimonialismo, conforme menciona Sá (1999):
6. "A obra de D'Auria em 1949 (bases sistemáticas), a nossa Filosofia da Contabilidade (bases lógicas) em 1952, seguida daquela de MASI, em 1962 (epistemologia contábil), foram importantes para que nos anos 70 desenvolvêssemos tudo o que já tínhamos como convicções e ambições, para um aumento de qualidade no conhecimento da contabilidade".
5 - Interação da riqueza com o social
A célula social empresarial pode ser comparada com o ser humano, pois este não vive só, necessitando de interações sociais para o seu desenvolvimento e o da sociedade. Sendo assim, pode ser visualizada uma cadeia de interações, entre as profissões, por exemplo, podendo citar: o padeiro, o professor, o pedreiro, os homens do meio rural, o engenheiro, o médico, o intelectual, entre outros, sempre um dependente do outro, para troca de informações, trabalho e geração de riquezas.
As empresas também interagem com o ambiente em que estão inseridas e precisam manter relações com o meio interno e externo. Essas relações são recíprocas em todas as ações praticadas; a sociedade interfere nas células sociais como as células sociais interferem na sociedade; logo há um movimento circulatório de efeitos patrimoniais e sociais, que conforme Sá (1999), é evidente e demonstra a interação entre as empresas e a sociedade.
A preocupação social da Escola Neopatrimonialista foi demonstrada na obra Teoria Geral do Conhecimento Contábil, onde Sá (1999) ensina que:
"Quando a soma da eficácia de todos os patrimônios implicar na soma da eficácia de todas as células sociais, em regime de harmônica interação, isto implicará, logicamente, na eficácia social, o que equivalerá à anulação das necessidades materiais da humanidade".
A demonstração do Balanço Social evidencia os aspectos da interação da célula social e a sociedade; e para atender aos anseios dos usuários deveria esclarecer a preocupação da empresa com o meio ambiente em que está inserida.
As Obras de Sá apresentam algumas indagações:
Que balanço poderia ser útil e claro adotando-se a metodologia de procedimento contábil, extraído do objeto que a contabilidade estuda, mas vestindo roupagem terminológica que a Economia ou a Sociologia adotam?
Esses balanços seriam apenas para ensejar uma somatória ao sabor da terminologia econômica ou da social?
Ou esses balanços estariam a intitular fatos da contabilidade em contas que não seriam jamais contábeis porque lhes faltava o objeto patrimonial nitidamente evidenciado?
Estas e outras interrogações abrangem a natureza do Balanço Social e espera-se que novos estudos sejam desenvolvidos no sentido de procurar por tais respostas, dada a importância desta demonstração.
6 - Conteúdo e Razões da divulgação do Balanço Social
6.1 Conteúdo
O conteúdo do Balanço Social, no Brasil, é definido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), criado em 1981, que é uma instituição de utilidade pública federal, sem fins lucrativos, cuja missão é a construção da democracia, combate das desigualdades e estimulação da participação cidadã.
O modelo de Balanço Social, proposto pelo IBASE, descreve os itens essenciais para atender seus objetivos, e dele destacam alguns itens, conforme quadro II.
Quadro II - Características do Balanço Social |
Variáveis Endógenas |
Variáveis Exógenas |
Alimentação |
Fornecimento de lanches, refeições, ticket refeições e alimentação, fornecimento de cestas básicas; |
Educação e Cultura |
Alfabetização solidária, canal cultura, cursos profissionalizante e de atualização, bolsa de estudos, lei municipal, estadual e federal de incentivo a cultura, consciência política; |
Saúde e Segurança do Trabalho |
Melhores condições de trabalho, assistência médica, hospitalar e odontológica, exigência legal; |
Meio Hambiente |
Necessidades humanas, ambientais e sociais, exigências internacionais, criação de reservas florestais, recuperação de áreas degradadas; |
Relações Trabalhistas |
Respeito aos direitos do empregado, remuneração móvel e participação nos resultados; |
Responsabilidade Social |
Capacidade e obrigação de integração empresarial com o ambiente e a sociedade. |
6.2 Razões:
O Balanço Social poderá demonstrar os benefícios recebidos, diretos ou indiretamente, reconhecendo que não é uma obrigação da empresa, e que ela realiza ações com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do seu funcionário.
A falta do Balanço Social poderá internamente desmotivar seus empregados, pois não tornará público, o que a empresa poderia fazer mais por ele, principalmente no que se refere à política de recursos humanos. Quando o empregado trabalha sem comprometimento ou insatisfeito, não percebendo o quanto a empresa tem realizado em ações sociais direcionadas a ele, a sua produtividade tende a reduzir. Externamente, poderá haver motivos para não se querer trabalhar nessa empresa, pois ela não comprova exercer a cidadania, ou seja, não apresenta ter responsabilidade social.
Em síntese, o Balanço Social deve ser um instrumento de motivação para o empresário e para os seus colaboradores. Para o empresário, porque ele deve estar pronto a melhorar constantemente a sua atuação social; para os colaboradores porque tomam conhecimento da evolução da responsabilidade social da empresa em que trabalha a medida que acompanham a evolução da instituição neste sentido.
No quadro III, relacionam-se os usuários, suas contribuições e suas demandas básicas junto à elaboração do Balanço Social. Entre as demandas relacionadas, percebe-se que algumas também figuram no Balanço Patrimonial, porém no caso em discussão, elas refletem em comunicação e estímulos que suprem as necessidades dos usurários especificados.
Quadro III - Adaptado de DUARTE (1985) |
PARCEIROS |
CONTRIBUIÇÕES |
DEMANDAS BÁSICAS |
Acionistas |
- Capital |
- lucros e dividendos
- prevenção do Patrimônio |
Empregados |
- mão-de-obra
- Criatividade
-Idéias
|
- salários justos
- segurança no emprego
- realização pessoal
- condições de trabalho |
Fornecedores |
- Mercadorias
-Serviços |
- respeito aos contratos
- negociação legal |
Clientes |
- dinheiro |
- segurança e boa qualidade dos produtos
- preço acessível
- propaganda honesta |
Concorrentes |
- Competição referêncial de mercado |
- lealdade e concorrência |
Governo |
- Suporte institucional, jurídico e político |
- obediência às leis
- arrecadação de tributos |
Grupos e Movimentos |
- aportes sócio-culturais diversos |
- proteção ambiental
- respeito aos direitos da minoria
- respeito aos acordos salariais |
Comunidade |
- Infra-estrutura |
- respeito ao interesse comunitário
- contribuição à melhoria da qualidade de vida na comunidade
- conservação dos recursos naturais |
Quando a empresa tem a sua gestão voltada para a conscientização da responsabilidade social, está motivada a realizar ações sociais, com ou sem a divulgação do Balanço Social, no entanto sua divulgação demonstra maior compromisso com a transparência e com a sociedade.
Trata-se de uma questão de cultura empresarial. A figura I demonstra, de forma sintética, a relação entre as ações de iniciativa privada versus as de iniciativas públicas e seus possíveis resultados que devem ser apresentados no Balanço Social das empresas.

Figura II - Resultados que devem ser evidenciados no Balanço Social
Fica evidente que, apesar de ser um demonstrativo dos resultados institucionais da empresa, o Balanço Social condensa interesses públicos e privados em prol de um mesmo fim, qual seja a melhoria da sociedade.
7 - Instrumentos Inerentes ao Balanço Social
A política econômica ambiental incentiva os agentes a considerarem os custos sociais nas suas decisões individuais, ou seja, promove ônus ou bônus, com base em suas atividades. Exemplifica-se com o caso de indústrias poluidoras que sofrem ônus pela poluição causada ou recebem bônus por poluir menos. Entre os instrumentos da política econômica, relacionam-se os seguintes:
taxas sobre efluentes, cobradas por unidade de descarga em rios, lagos, no ar ou no mar; taxas de usuário de sistemas públicos de tratamento de efluentes; taxas sobre produtos, incidente no preço do produto no momento de sua produção ou consumo; diferenciação de taxas, com preços mais favoráveis para produtos não ofensivos ao meio ambiente; subsídios para empresas em dificuldades para atingir padrões ambientais preestabelecidos; sistema de devolução de depósitos com recebimento da taxa paga na compra quando houver a devolução da embalagem; criação de mercado de licenças para poluir, por meio de títulos negociáveis; seguro ambiental obrigatório, entre outros.
Esses instrumentos podem trazer economicidade para as empresas, quando criam benefícios para as mesmas, influenciando as suas decisões, como por exemplo, no cálculo de custos, em que o ônus proporciona um aumento no presente, mas pode refletir em benefícios no futuro.
Tais instrumentos de política ambiental são defendidos pelos neoclássicos em função de reduzirem a intervenção direta do governo na economia e na sociedade, promoverem uma integração entre a política ambiental e a política tradicional fundada na prática de cobrança de taxas, impostos, multas e incentivarem a transição gradual de política ambiental corretiva, reduzindo o nível de poluição, para política ambiental preventiva.
O mercado de licenças de poluição, negociáveis, pressupõe a criação dessas que, evidentemente, dependem de uma ação do Estado. As indústrias recebem esses títulos de licenças, que estabelecem os limites que cada indústria pode poluir. Além de legislação federal, existem as estaduais que disciplinam tais licenças, como por exemplo: Lei Federal n° 6.938/81, Resolução n° 237 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), Lei Estadual de Minas Gerais no 7.772. Assim, essas licenças são socialmente justas e economicamente viáveis.
Determinados instrumentos visam estimular uma mudança no comportamento empresarial, mediante premiações pelo comportamento adequado à preservação ambiental. São utilizados selos verdes ou certificados de qualidade como forma de recompensa às empresas que progridem quanto à implementação de gestão antipoluição.
No Brasil, as informações necessárias à formação do ranking de empresas para a premiação, normalmente são obtidas por meio do Balanço Social e muitas leis são criadas para regular as atividades industriais, sendo mencionadas algumas:
Leis de uso e ocupação do solo;
Leis que declaram áreas de preservação permanente;
Leis que dispõem sobre as condições de armazenagem dos líquidos combustíveis e inflamáveis;
Leis que dispõem sobre a execução de serviços de coleta, transporte, tratamento e disposição de rejeitos químicos;
Leis que dispõem sobre a determinação de níveis de ruído nos ambientes;
Leis sobre edificações e construções;
Leis que dispõem sobre a produção, comercialização e uso dos agrotóxicos.
8 - Destino do Balanço Social
Verifica-se que uma das origens dos dados desse documento é a circulação da riqueza das células sociais, mas que o seu destino é para a sociedade em geral.
As relações das células sociais com o ambiente, em que estão inseridas, produzem efeitos no sistema como um todo. Dessas interações, têm-se os conceitos de riqueza e de valor que podem ter conotações distintas para as outras ciências. Assim, há informação particular na gestão das células sociais, mas pode existir paralelamente informação para um público distinto: fornecedores, clientes, acionistas, investidores, consumidores, governos etc.
O que enfatiza o Balanço Social não é a óptica exclusiva do particular, mas a sua adaptação à sociedade, em classes, assim não se faz o Balanço Social para o particular da empresa, mas para toda a sociedade.
Para validar o processo de gestão em empresas, com o cenário globalizado e competitivo, é necessário que existam progressos de medição de desempenho, pois conforme ensina Kaplan e Norton (1997) "o que não é medido não pode ser gerenciado".
O Balanço Social também deve ser evidenciado pela administração pública. Este pode fornecer informações físicas e qualitativas, demonstrando a evolução social do município, dos estado e da nação.
As metas a serem alcançadas devem buscar um serviço de qualidade, confiabilidade, responsabilidade fiscal, transparência na gestão pública e o equilíbrio entre as vontades da sociedade com a realidade de cada ente federado.
Assim, o Balanço Social na área pública pode e deve servir como peça de comprovação de atendimento aos objetivos dos gestores públicos, qual seja, o lucro social e a satisfação da população.
Em última análise, de um Balanço Social poderá nascer outras peças para consolidar diversos balanços sociais, e produzirem informações dos ramos de atividades, espaços econômicos, atendimentos sociais, dentre outros.
9 - Considerações Finais
Com a utilização do Balanço Social, como uma ferramenta de gestão, os empresários têm tido, em geral, retornos positivos dos seus colaboradores, o que propicia converter-se em aumento de competitividade e eficiência da organização. Sá (1999) defende que tratar de Contabilidade Social é romper com a ciência contábil, ou seja, a que tem como objeto o patrimônio individual e não aquele social. A riqueza social é objeto da Economia. Ele recomenda que a contribuição é a realização de um estudo das relações ambientais do patrimônio das células sociais, gerando informes úteis que por sua vez produziram um balanço com visões sociais.
Seria mais adequado denominar o Balanço Social de Relatório ou Demonstrativo Social, cujo conteúdo seja explicito, evidenciando as informações reais, em que haja interação da Economia, da Sociologia, dos cálculos estatísticos e de explicações das causas e efeitos que proporcionaram a distribuição dos valores à sociedade em geral, no entanto, este assunto deve ser enfocado com maior propriedade.
10 - Referências bibliográficas
DOLABELLA, Maurício Melo, VARELA, Patrícia Siqueira & COSTA, Raquel da Ressurreição da. Balanço Social: demonstrativo da função social da empresa. Contabilidade Vista & Revista. Belo Horizonte: UFMG, v.10, n.2, set. 1999.
HOLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio. São Paulo: Nova Fronteira, 1999. CD-ROOM. Século XXI. Versão 3.0.
DUARTE, Gleuso Damasceno, DIAS, J.M.A.M.. Responsabilidade social: a empresa hoje. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1985.
_____________ Responsabilidade social da empresa: modismo ou sinal dos tempos? Belo Horizonte: Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, 1985. (Dissertação, Mestrado).
GARCIA, Moisés Garcia. Contabilidade Social. Madri: ICAC,1980.
GONÇALVES, Erneto Lima. Balanço Social da empresa na América do sul. São Paulo: Pioneira, 1980.
KAPLAN, Robert S. & NORTON, David P. A Estratégia em ação. 6. ed. São Paulo:
Campus, 1997.
KOLIVER, Olívio. Reflexões e tentativas de diagnóstico e prognóstico sobre a formação do Contador nas décadas vindouras. Revista do CRC-RS, nº66, Out/91.
KROETZ, César (organizador). A contabilidade sob o enfoque neopatrimonialista. 1ª ed. R. G. Sul: Unijui. 2003.
Internet - www.alfinal.com ; 6/10/2003
Internet - www.afgoms.com.br - "Modelo AG de Balanço Social" - 08/07/2003
Internet - www.balancosocial.org.br - "Balanço Social do 3º Setor" 08/07/2003.
Internet - www.trensurb.gov.br - "Balanço Social 2001" 08/07/2003.
PECOTCHE, Carlos Bernardo Gonzalez. Exegese Logosófica, 5 ed. São Paulo Ed. Logosófica, 1989.
SÁ, Antônio Lopes de. Contabilidade ambiental-uma responsabilidade social, Internet www.crcmg.org.br, 1999.
_________. Teoria da Contabilidade Superior São Paulo: Atlas 1994.
_________. Teoria da Contabilidade. 2 ed. São Paulo: Atlas. 1999.
__________. Aspectos doutrinários da contabilidade aplicada ao meio ambiente natural, Internet - www.lopesdesa.com., outubro de 1999.
_________.Considerações gerais sobre a contabilidade aplicada ao meio ambiente natural, Internet - www.lopesdesa.com., agosto de 1999.
_________. Introdução à contabilidade aplicada ao meio ambiente natural, Internet - www.lopesdesa.com., setembro de 1999.
_________. História Geral e das Doutrinas Contábeis. São Paulo: Atlas.1997.
SERRA NEGRA, Carlos Alberto. Balanço Social: um elo entre a administração e a contabilidade. Palestra proferida na Faculdade de Pará de Minas.1999.
SOUZA, Herbert de. Balanço Social nas empresas públicas. Jornal Folha de São Paulo. São Paulo: 06/05/1997.
FOLHA DE IDENTIFICAÇÃO
Cleber Batista de Sousa
Mestrando em Contabilidade pela Fundação Visconde de Cairu
Professor do Centro Universitário Newton Paiva e da Faculdades Integradas de Caratinga - FIC.
Daniel Gerhard Batista
Mestrando em Contabilidade pela Fundação Visconde de Cairu
Perito-Contador, Auditor, Assessor, Consultor, Diretor técnico da Real Assessoria Contábil Ltda
E-mail: danielgerhard@gruposim.com.br
Marinette Santana Fraga
Mestranda em Contabilidade pela Fundação Visconde de Cairu
Perito-Contadora, Consultora Organizacional, Administradora, Professora, membro da Câmara de Ensino e Coordenadora do Núcleo de Estudos Contábeis junto a FUNCEC de João Monlevade - MG.
Nilton de Aquino Andrade
Mestrando em Contabilidade pela Fundação Visconde de Cairu
Diretor de Ensino da Academia de Gestão Fiscal junto ao Grupo SIM.
Professor da Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte - M.G
E-mail: nilton@gruposim.com.br